"Eu não sabia que o mundo era bem melhor que a minha casa, senão tinha ido antes" - Rubens K (aqui)
12.3.09
Quando eu nasci morei um dia numa casa lá no Jabaquara, foi um dia só e no outro eu já estava num bercinho na casa que cresci e enlouqueci. Lembro de como a casa era pequena e de como foi ficando bonita com as reformas que meu pai foi fazendo, subindo paredes, colocando janelas. Eu ganhei um quarto só meu e meus irmãos dividiam o quarto azul. Eu gostava tanto daquela casa, dos vidros coloridos da porta da sala, da escada que ia pro meu quarto com aquela janela alta que deixava a luz invadir tudo. Gostava de ter espaço e de ter portas pra fechar quando alguma coisa me fazia mal. Era só fechar a porta e pronto, eu conseguia ficar sozinha com meu rádio.
Mas chegou uma hora, e não consigo me lembrar quando aconteceu, que tudo aquilo pra mim foi tornando-se insuportável. Cada cômodo me incomodava. As paredes eram feias e emboloradas demais pra que eu tivesse ainda vontade de ficar encarando do sofá.
Meu quarto já não era só meu, minha cama começou a dividir espaço com outra cama, portas batendo com fúria, coisas se estraçalhando contra paredes. Nenhuma música me fará esquecer esses sons. Cada minuto fora daquela casa me fazia bem, ou não, mas cada minuto fora dali era o que eu mais queria.
Eu senti uma tristeza tão filha da puta quando percebi que eu não poderia mudar aquilo, que aquelas pessoas não mudariam e eu não conseguia mais me comunicar com elas. Foi quando comecei a enlouquecer, foi gradativa a coisa.
Depois uns trampos de merda, salários de merda, eu com 17 ou 18 anos e já essa ânsia em mudar tudo e me foder, ou me dar bem, eu só queria saber como deixar de fazer parte daqueles álbuns.
Daí eu conheci alguém que gostou de mim, e que me deixou gostar dele desse meu jeito. Alguém que sabia que eu tinha muitas mágoas aqui dentro e que eu não conseguia separá-las da minha vida, porque agora sei que elas não são parte da minha vida, não completamente. E fomos construindo alguma coisa que não sabíamos do que chamar, fomos entrando um dentro do outro, fomos caminhando trocando as pernas como naquela música do Chico. Eu fazia planos, eu queria dividir parte desses planos e nada acontecia. Comecei a colher minhas próprias cicatrizes, e mergulhar em minhas loucuras, embriagar os tais sonhos, e cada vez mais longe daquela casa e daquela vida estranha que nunca consegui chamar de minha.
Alguns anos correram, eu mandei um emprego à merda, mandei tomar no cú com tanta felicidade que quase chorei. Eu aprendi coisas na noite, eu tive coragem de assumir pra mim mesma algumas outras. Descobri que amor não acaba, que ele fica sempre aqui dentro, que ele acontece só uma vez, mesmo que só cause encrenca.
Hoje acordei e encarei paredes diferentes, senti saudade da minha mãe por motivos que eu não vou contar aqui, abri a geladeira e tudo é tão diferente agora. Escovei os dentes enfiando meu olhar no rejunte dos azuleijos do box, são de outra cor. Pensei em produtos de limpeza, em roupas sujas, em macarronada com azeitona e milho verde. É outra casa que talvez eu não tenha escolhido, não foi um plano, e eu tô me sentindo feliz ali, mesmo que as coisas ainda não estejam bem certas pra todas as pessoas. Porque algumas pessoas estão metidas, de algum jeito, nisso.
Hoje quando eu acordei eu estiquei meu braço e bati na cabeça dele, ele se revirou e resmungou alguma coisa, ele fala dormindo. Eu pensei nas minhas escolhas, e abri um sorriso, um sorriso bem idiota e meio torto, meu olho nem tava abrindo direito, ele abriu os olhos e disse que eu tava atrasada, eu fui correndo pro banheiro, foi quando fiquei encarando azuleijos.
Não sei se está tudo bem comigo, mas posso adimitir que as coisas estão bacanas pra mim. Tenho tido poucas horas de sono, sim, mas isso é escolha minha, e dessa vez não me sinto cansada. Vinte anos e trezentos e sessenta e quatro dias depois.
28.2.09
Eu queria que todas as palavras viessem pra essa tela com a mesma força que entram na minha cabeça, no coração. Elas me atropelam, encharcam minha vista e me trazem medos que talvez nem sejam meus. Nesse exato momento elas fugiram, assim como a noite que se escondeu de mim, nesse exato momento. Eu vejo do alto os carros passando, pessoas trocando suas casas pelas calçadas num sábado que começa sem garoa. Essas pessoas não podem me encarar de perto agora, elas nem imaginam que aqui falo sobre elas e sobre suas vidas. Isso é estranho, pois eu posso falar de algumas mulheres que estão saindo de suas camas preocupadas demais pra olhar pro lado, pra encarar quem dorme ali ao lado, ou pra abraçar e brigar com quem elas gostariam que ali estivesse. Posso descrever aquele homem que acabou de chegar cansado com pouco dinheiro, que passa pelo quarto dos filhos e sorri quando vê que um deles ainda não chegou. Posso falar do porteiro do prédio que troca de turno e veste a camiseta do seu time. Hoje tem jogo de futebol. Posso falar dessa casa com carpete e de como é insano olhar pra dentro dos apartamentos no prédio da frente, ver a sala pequena, o quarto mal iluminado, dois homens na janela do meio , duas moças e uma senhora na janela da direita, alguns brinquedos espalhados na varanda pequena mais abaixo.
Todas as minhas palavras se foram, agora mesmo eu as tinha aqui bem perto, mas elas disputavam o ar com meus pulmões e eu as expulsei, eu disse coisas horríveis que ninguém nunca vai saber. Por dez minutos eu poderia explicar o que é o amanhecer, quando a temperatura cai e as nuvens se espalham, daí a noite sai correndo sacodindo uma risada frouxa que eu não consigo esquecer.
Parte de cidade acorda e o sol vai começando a aparecer, primeiro se enfiando pela janela incomodando um pouco, e ele entra, entra dentro da gente e começa um dia novo, novinho, sem perguntar nada, sem se importar com o que você está querendo, pensando, bebendo, ele entra dentro de você fazendo uma festinha sacana, assim sorrateiro. E ninguém percebe.
Queria que ele me perguntasse algo antes de me invadir ou de me queimar minha pele. Mas eu não saberia o que responder porque nenhuma palavra me sobrou da noite tão próxima que acabou, e logo vem outra, e eu com novas palavras e essa dor filha da mãe que mesmo que eu mande embora, que eu chute, esporre, expulse, essa dor filha da mãe que fica. Ela enamora a noite, ela se enamora com o sol e com o barulho do transito, ela tá sempre aqui e eu só queria mesmo era saber como falar dela, sem beleza nenhuma, só queria saber explicar cada pedacinho dessa filha da mãe que entra fundo aqui dentro pra fazer festa, e faz mesmo.
Todas as minhas palavras se foram, agora mesmo eu as tinha aqui bem perto, mas elas disputavam o ar com meus pulmões e eu as expulsei, eu disse coisas horríveis que ninguém nunca vai saber. Por dez minutos eu poderia explicar o que é o amanhecer, quando a temperatura cai e as nuvens se espalham, daí a noite sai correndo sacodindo uma risada frouxa que eu não consigo esquecer.
Parte de cidade acorda e o sol vai começando a aparecer, primeiro se enfiando pela janela incomodando um pouco, e ele entra, entra dentro da gente e começa um dia novo, novinho, sem perguntar nada, sem se importar com o que você está querendo, pensando, bebendo, ele entra dentro de você fazendo uma festinha sacana, assim sorrateiro. E ninguém percebe.
Queria que ele me perguntasse algo antes de me invadir ou de me queimar minha pele. Mas eu não saberia o que responder porque nenhuma palavra me sobrou da noite tão próxima que acabou, e logo vem outra, e eu com novas palavras e essa dor filha da mãe que mesmo que eu mande embora, que eu chute, esporre, expulse, essa dor filha da mãe que fica. Ela enamora a noite, ela se enamora com o sol e com o barulho do transito, ela tá sempre aqui e eu só queria mesmo era saber como falar dela, sem beleza nenhuma, só queria saber explicar cada pedacinho dessa filha da mãe que entra fundo aqui dentro pra fazer festa, e faz mesmo.
27.2.09
13.2.09
Só As Mães São Felizes
"Você nunca varou
A Duvivier às 5
Nem levou um susto
Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida
Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas
Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus
Já frequentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta
No Barbarella às 15 pras 7
Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela
Reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela
Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
Nem quis comer a tua mãe?
Só as mães são felizes... "
A Duvivier às 5
Nem levou um susto
Saindo do Val Improviso
Era quase meio-dia
No lado escuro da vida
Nunca viu Lou Reed
"Walking on the wild side"
Nem Melodia transvirado
Rezando pelo Estácio
Nunca viu Allen Ginsberg
Pagando michê na Alaska
Nem Rimbaud pelas tantas
Negociando escravas brancas
Você nunca ouviu falar em maldição
Nunca viu um milagre
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo
Nem nunca quis ver a face de Deus
Já frequentei grandes festas
Nos endereços mais quentes
Tomei champanhe e cicuta
Com comentários inteligentes
Mais tristes que os de uma puta
No Barbarella às 15 pras 7
Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela
Reparou na inocência
Cruel das criancinhas
Com seus comentários desconcertantes?
Adivinham tudo
E sabem que a vida é bela
Você nunca sonhou
Ser currada por animais
Nem transou com cadáveres?
Nunca traiu teu melhor amigo
Nem quis comer a tua mãe?
Só as mães são felizes... "
9.2.09
Te Peguei Malandro
Ele voltou com o blog e não avisou ninguém. Farsante!
Mas ou denunciar pra todo mundo (porque sou uma Erva Daninha peçonhenta):
Mas ou denunciar pra todo mundo (porque sou uma Erva Daninha peçonhenta):
3.2.09
entrei no cinema e já fui direto pra bilheteria dizendo no nome do filme e pagando e retirando meu bilhete e já fui direto, agora, pra fila das pipocas, aquelas maiores, pedi a grande, coca-cola grande também, um café, paguei, retirei tudo e me encostei no canto olhando pra cara das pessoas. eles têm aqueles sachês de pimenta, é molho de pimenta, e eu enchi minha pipoca com aquilo, e os bolsos, porque nunca dá pra "melar" tudo de uma vez só. tomei meu café deixando a fumaça entrar pelo meu nariz e quase queimando minha língua eu saboreava um daqueles cafés expresso que não lembrariam nunca o café com leite da casa da minha avó Aparecida.
vinte horas, dezessete minutos e tic-tac-tic-tac-tic-tac...
termino meu café, saio de um canto e me encosto noutra parede, encaro outros rostos e dou de cara com o Pinduca, muito bem acompanhado com o Yan e a Naiara, seus filhos, eu vou pra fila da sessão das vinte e trinta e deixo um abraço com o Pinduca!
segunda fila, última poltrona no canto esquerdo, sabia que ninguém ficaria na minha frente, nem perto de mim, todo mundo senta do meio pra trás, fico livre dos risinhos, do barulhinho dos papéis de balas, de zíper descendo, de língua e baba e cof-cof, e aqueles suspiros intraduzíveis.
muito trailer depois...
trilha linda, eu fiquei emocionada, porque música espanhola me deixa assim.
tudo, achei o filme lindo!
saí do cinema cheia de impressões e comentários e com aquela música linda na minha cabeça e precisava tanto de um cigarro e de passos largos e tinha aquela garoa fina...
desci a Augusta sem guarda chuva, acendi um cigarro, mais outro e outro. esbarrei em uma menina amistosa que equilibrava um guarda chuva enorme, ela era muito bonita.
quase entrei num bar pra tomar uma cerveja, ficar jogando fumaça de cigarro pro alto, pensando longe, olhando pra rua... mas continuei andando, apertei mais o passo e fiz sinal na parada do ônibus.
veio devagar uma tristezinha chata, filha da puta mesmo, e ela sentou no banco ao lado e ficou me contando uma porção de histórias.
hoje "o dia amanheceu chovendo e a sauade me contém"
26.1.09
segunda-feira
Tem gente que enfia o pé na jaca de vez em quando, ou fica alternando, direito-esquerdo-direito-esquerdo. Todo mundo vacila ou "faz de propósito" uma hora.
Dá-lhe cerveja pra moçada! Aumenta o som que eu já tô vendo neguinho se estabacar no corredor!
Eu já me meti em apuros, já vomitei na roupa (de uma amiga querida, aliás), já senti vontade de tirar a roupa e sair correndo por aí. Já briguei, mas saí fora porque sou pacífica (trouxa e fracote) demais pra ir pra porrada. Pois é, sou uma mulher sincera.
Mas tem hora, e aí já é quase tarde demais, que a gente (pra não falar em primeira pessoa) enfia os dois pés na jaca mole e sai patinando por aí. Todo mundo vê, todo mundo mesmo. Aí você desliza na sua jaca mole por quilômetros e ninguém te segura, você pode tudo, você é invencível, você até sente que pode voar. E pode mesmo meu irmão. É só você ficar bem certo de que depois desse passeio, depois de lutar contra os monstros e salvar todas as mocinhas você vai ter que voltar pro seu esconderijo e encarar a verdadeira identidade que lhe cabe, num espelho que não é mágico. Esse é o lance, e você encara se achar que guenta o tranco depois. Porque as vezes meu caro, a consequência só é visível dentro da sua cabeça.
E isso já é o suficiente pra começar a semana.
Dá-lhe cerveja pra moçada! Aumenta o som que eu já tô vendo neguinho se estabacar no corredor!
Eu já me meti em apuros, já vomitei na roupa (de uma amiga querida, aliás), já senti vontade de tirar a roupa e sair correndo por aí. Já briguei, mas saí fora porque sou pacífica (trouxa e fracote) demais pra ir pra porrada. Pois é, sou uma mulher sincera.
Mas tem hora, e aí já é quase tarde demais, que a gente (pra não falar em primeira pessoa) enfia os dois pés na jaca mole e sai patinando por aí. Todo mundo vê, todo mundo mesmo. Aí você desliza na sua jaca mole por quilômetros e ninguém te segura, você pode tudo, você é invencível, você até sente que pode voar. E pode mesmo meu irmão. É só você ficar bem certo de que depois desse passeio, depois de lutar contra os monstros e salvar todas as mocinhas você vai ter que voltar pro seu esconderijo e encarar a verdadeira identidade que lhe cabe, num espelho que não é mágico. Esse é o lance, e você encara se achar que guenta o tranco depois. Porque as vezes meu caro, a consequência só é visível dentro da sua cabeça.
E isso já é o suficiente pra começar a semana.
23.1.09
5.1.09
19.12.08
Final Fight

Amanhã, ás 15h, no Sebo do Bac, na praça Roosevelt.
E não preciso enumerar motivos pra você sair de casa, isso fica por sua conta.
O que sei é que nenhuma ceia de Natal será tão agradável quanto uma reunião como essa, quase uma reunião de amigos!
Ensaiei um número de trapézio pra animar a coisa, mas acho que não vai rolar, então levo alguma coisa pra ler e economizo com o plano de saúde.
Estou com alguns abraços guardados e pretendo amanhã não esquecer nenhum!
Um maço de Mallboro é minha compania pra hoje! Nada de filtro branco.
Dezesseis dias "de molho", com direito a colinho da vó. Preciso de mais? É claro que sim, mas hoje faz frio aqui, do lado de dentro também, inclusive, portanto me despeço do motorista do ônibus com um sorrisinho sacana, e volto cheia de novidades horríveis e sem nenhuma graça (porque agora estou falando dos outros). Já vejo uma suculenta feijoada fumaçando no caldeirão e pra amanhã eu só penso que ainda tenho que lavar os cabelos, que mais parecem um ninho hoje.
Estou classificando os momentos em Hoje e Amanhã, e é tão óbvio quanto todos os meus desejos cinco minutos antes de ouvir aquelas coisas e ficar outra vez com medo do que tenho que fazer, ou não fazer, acho que trata-se mesmo de espera, e eu ha muito não gosto disso. Ficar aqui parada contando os passos, os meus.
Obviamente isso não interessa a mais ninguém, e eu sei disso e sei que daqui a pouco vou passar a borracha e vamos brindar àquilo que realmente causa alguma sensação melhor que esta de estar aqui sozinha com esse maço pela metade e essa xícara (copo de requeijão) com café frio e pouca açúcar. Oh céus, alguém aí me paga uma dose de conhaque?
Tudo vai bem quando se tem os amigos, eu sei eu sei eu sei. Todo mundo sabe disso. É como quando pensamos em Deus, ou em alguma oração, sempre que algo vai mal. A gente senta na beirada da cama e une as mãos e diz coisas que nunca mais diremos, coisas que até nos envergonham, e dizemos obrigada! ou se sobrar um tempo aí, Senhor! e é só vestir o capote verde musgo (gosto dessa cor) e sair de casa, com o guarda chuva. Mas os amigos, estes nossos queridos amigos, não esperam que as nossas mãos estejam unidas, eles sempre chegam antes do amém.
Porque eu pensei que dava pra chegar em qualquer lugar e sempre carregar no mesmo olhar aquela estranha certeza de que tudo vai bem, sim, por que não? e eu sei eu sei eu sei, grande bobagem. Mas eu não tenho a mesma bola de vidro que as "ciganas" compram no crediário.
Hoje eu tenho um pouco de cansaço somado a indiferença com o jornal, com a previsão do tempo, com a mensagem que você devia ter me enviado ontem.
E o cigarro é tão mais barato, e olha, causa muito menos mal, eu sei disso também.
Dezesseis dias "de molho", com direito a colinho da vó. Preciso de mais? É claro que sim, mas hoje faz frio aqui, do lado de dentro também, inclusive, portanto me despeço do motorista do ônibus com um sorrisinho sacana, e volto cheia de novidades horríveis e sem nenhuma graça (porque agora estou falando dos outros). Já vejo uma suculenta feijoada fumaçando no caldeirão e pra amanhã eu só penso que ainda tenho que lavar os cabelos, que mais parecem um ninho hoje.
Estou classificando os momentos em Hoje e Amanhã, e é tão óbvio quanto todos os meus desejos cinco minutos antes de ouvir aquelas coisas e ficar outra vez com medo do que tenho que fazer, ou não fazer, acho que trata-se mesmo de espera, e eu ha muito não gosto disso. Ficar aqui parada contando os passos, os meus.
Obviamente isso não interessa a mais ninguém, e eu sei disso e sei que daqui a pouco vou passar a borracha e vamos brindar àquilo que realmente causa alguma sensação melhor que esta de estar aqui sozinha com esse maço pela metade e essa xícara (copo de requeijão) com café frio e pouca açúcar. Oh céus, alguém aí me paga uma dose de conhaque?
Tudo vai bem quando se tem os amigos, eu sei eu sei eu sei. Todo mundo sabe disso. É como quando pensamos em Deus, ou em alguma oração, sempre que algo vai mal. A gente senta na beirada da cama e une as mãos e diz coisas que nunca mais diremos, coisas que até nos envergonham, e dizemos obrigada! ou se sobrar um tempo aí, Senhor! e é só vestir o capote verde musgo (gosto dessa cor) e sair de casa, com o guarda chuva. Mas os amigos, estes nossos queridos amigos, não esperam que as nossas mãos estejam unidas, eles sempre chegam antes do amém.
Porque eu pensei que dava pra chegar em qualquer lugar e sempre carregar no mesmo olhar aquela estranha certeza de que tudo vai bem, sim, por que não? e eu sei eu sei eu sei, grande bobagem. Mas eu não tenho a mesma bola de vidro que as "ciganas" compram no crediário.
Hoje eu tenho um pouco de cansaço somado a indiferença com o jornal, com a previsão do tempo, com a mensagem que você devia ter me enviado ontem.
E o cigarro é tão mais barato, e olha, causa muito menos mal, eu sei disso também.
11.12.08
26.11.08
22.11.08
E daí que era uma bobagem? Era a minha bobagem e isso a tornava sim, a maior encrenca dos tempos. Porque eu já não tô afim de ser a mesma sempre, de ter os mesmos defeitos que lhe fazem tão bem. Por mais que eu me limite ao impossível, que é gostar de tudo isso e de você, eu já nem acredito mais em todas as coisas, e gostar de tudo isso é tão absurdo quanto as mil frases que você nunca termina e aquela ruga na sua testa que fica tão engraçada quando te olho da cozinha, você na sala ou em qualquer outro lugar, é tão engraçado!
Mas família, como você fala e diz que é dú caralho, essa eu não quero não. É triste demais ver tantas pessoas ali sofrendo por uma regra que nem elas mesmas escolheram. Gosto de gatos, e passarinhos, mas os dois juntos é impossível, dá merda, tipo o lance de família sabe.
Pode contar aí nos teus dedos quantas vezes eu disse que ligaria, mesmos quando eu disse que só ligaria pra dizer um oi, eu não gosto de telefones, é tudo tão monótono, tão mais fácil. Prefiro, ainda e portanto apenas me ouça, sentar no beiral daquela janela naquela casa, de onde eu teria lhe acenado ou jogado um beijo sacolejando num riso frouxo. A mesma coisa todo dia, como as páginas da folhinha do calendário onde é sempre dia 12, segunda-feira. Nós não vamos voltar lá e fazer tudo outra vez, porque vai dar tudo errado, perdemos o jeito com os pequenos defeitos de nós dois, aquela casa fica muito maior vazia, e mais bonita!
Papai vai gostar de saber que me dei mal, e com você, e pela família vou me sentir recompensada se tudo, ou parte então, seja mesmo a, ou uma delas, verdade.
Quem me dera ter certeza de tantas palavras que saem da minha boca arrebentando meus dentes, nem essas cicatrizes se parecem as minhas, eu duvido que sejam, assim como eu duvido que quando eu terminar de dizer todas essas coisas e me virar pra você ainda estará aí esperando que eu resolva alguma, e qualquer pois não é o caso da gente, coisa, e outra vez.
Mas família, como você fala e diz que é dú caralho, essa eu não quero não. É triste demais ver tantas pessoas ali sofrendo por uma regra que nem elas mesmas escolheram. Gosto de gatos, e passarinhos, mas os dois juntos é impossível, dá merda, tipo o lance de família sabe.
Pode contar aí nos teus dedos quantas vezes eu disse que ligaria, mesmos quando eu disse que só ligaria pra dizer um oi, eu não gosto de telefones, é tudo tão monótono, tão mais fácil. Prefiro, ainda e portanto apenas me ouça, sentar no beiral daquela janela naquela casa, de onde eu teria lhe acenado ou jogado um beijo sacolejando num riso frouxo. A mesma coisa todo dia, como as páginas da folhinha do calendário onde é sempre dia 12, segunda-feira. Nós não vamos voltar lá e fazer tudo outra vez, porque vai dar tudo errado, perdemos o jeito com os pequenos defeitos de nós dois, aquela casa fica muito maior vazia, e mais bonita!
Papai vai gostar de saber que me dei mal, e com você, e pela família vou me sentir recompensada se tudo, ou parte então, seja mesmo a, ou uma delas, verdade.
Quem me dera ter certeza de tantas palavras que saem da minha boca arrebentando meus dentes, nem essas cicatrizes se parecem as minhas, eu duvido que sejam, assim como eu duvido que quando eu terminar de dizer todas essas coisas e me virar pra você ainda estará aí esperando que eu resolva alguma, e qualquer pois não é o caso da gente, coisa, e outra vez.
21.11.08
14.11.08

Estou um tanto ausente, não é só dessa casa, estou ausente mesmo. Do resto todo, eu acho.
Mas não deixaria de avisar por aqui, também, que estréia hoje a peça "Mulheres Bobeiras e um Ataque de Risos" com as lindonas: Fabi Vajman, Fernanda Gama e Mariana Clara, imperdível!
Três malucas que vão hoje, e disso eu tenho certeza, quebrar tudo naquela salinha do Ruthinhaaa (assim mesmo, como o Tonho da Lua, porque hoje tô engraçadinha, quequetem?).
Portanto, saiam dos esconderijos hoje e amanhã e domingo e confiram o excelente trabalho dessas meninas. Não restará nenhum arrependimento em suas vidas.
Bom, suficientemente informados meus caros leitores, e mimados portanto, não vacilem, pô!
O Erva Daninha agradece a visita de todos (todos???), e a bêbada desmemoriada (é só charme) que vos escreve promete aparecer em breve, ou não.
Não desistam de mim crianças. Rá!
Serviço: Teatro Ruth Escobar / Sala Miriam Muniz
Sex e Sáb, 21h30Dom, 19h
R$30. 12 anos.
13.11.08
11.11.08
Ela tinha todos os bons motivos pra não ficar comigo. As mulheres constroem suas estátuas, por motivos e circunstâncias e não tô falando das mulheres e sim destas mulheres que acabam paradas perto de um telefone, ou esperando o carteiro trazer alguma notícia, ou outra conta vencida. E a garoa fina não a deixa despenteadas, nem as resfria o corpo, porque esats mulheres são diferentes das que você conhece, meu caro. Elas podem chorar convulsivamente por algo fútil, tão lindas! Jamais saberei descrevê-las como as vejo. Mesmo nua sobre a minha cama consegue esconder todos os mistérios, todo seu pavor, é só ela fechar os olhos. Porque essa mulheres trazem nos olhos os pesos e as adagas.
Ela tinha tudo quanto precisava e comia bem. Dormia em lugares limpos, em camas macias e tinha amigas e tias e professores de canto. E eu aqui sentado na poltrona falando sobre música negra a uma menina branca, cor de gelo, menina doente. Sua doença chamava-se família, ela me dizia entre o pranto e nossa orgia quase espiritual. Ela tinha os dedos dos pés mais gelados que já pude sentir, eu que nunca reparava em nada agora pensava nos dedinhos dos seus pés branco gelo. Sua voz tão suave falando de seus fantasmas e do amor que sentia por uma amiga do colégio, o que fez com que sua mãe a trouxesse de volta ao seio e a faz ter a pele azulada, ela não saía de casa.
Me disse que queria voar pra algum lugar bem longe, ela fazia um biquinho com o lábio quando dizia "beeeeeem longe, meu amor" e nunca esquecia do meu amor. Quando digo as mulheres me refiro a ela, porque foi a única que não me pediu pra ficar. Isso é tão bonito da parte dela, ela apenas acena da janela, esconde o rostinhho meio de perfil pra que eu não a veja chorar, e sai com todos os homens mais bêbados que me conheçam, ela não escreve cartas, ou telefona, acho que faz isso pra que eu tenha noticias.
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